domingo, 14 de junho de 2009

já sem forças.

Ela caminhava pelas ruas movimentadas, olhava em seu redor, confusa e fora de si, já não sabia quem era, muito menos o que fizéra. Olhou para o rio, transmitiu-lhe calma, foi aí, então, que, tentando encontrar alguma paz no meio de todo aquele stress do quotidiano, se focou, onde ninguém lhe ligava, como já era hábito. Entregue aos seus pensamentos, e já sentada no jardim, olhando aquele azul tão sereno, deitou a primeira lágrima.
Mas aquela não era uma lágrima qualquer, era uma lágrima de puro sofrimento e de pura tristeza. A infelicidade corria-lhe pelos olhos, como se a sua vida dependesse disso.
Pensou para si própria o porquê de uma lágrima tão sentida(...) secalhar, nunca tinha reparado, mas agora, a intensidade das palavras que ouvira à uns momentos atrás, tinham-na mesmo ferido. sim, talvez ela estivésse errada, talvez ela tivésse estado todo aquele tempo errada e só agora se apercebera de tudo aquilo. Porque na verdade, só nos apercebemos do mal que fizémos, quando chegamos a extremos.
Então sentiu uma mão tocar seu ombro, aquela que a feriu, aquela que a magoou e a apunhalou durante muito tempo. Mais umas tantas lágrimas jorraram sangue por sua cara, não dava, não conseguia conter mais todo aquele sofrimento incansável e imperdoável dentro de si.
Ela não queria sentir sua mão, precisava que ele se afastasse, para sempre, para não a magoar de novo. Sabia que se olhásse para trás, apenas o estaria a encorajar a falar, e iriam voltar a discutir, e a dizer coisas que magoariam ambos, profundamente, como à momentos atrás, por isso, optou por simplesmente manter a calma, e continuar olhando a água do rio, que corria por entre as rochas, como ela desejava fazer naquele momento.
Contudo, ele falaria de qualquer maneira, então, as palavras sairam:
-Esqueci-me de dizer que, apesar de tudo, foste especial.
Aí não conteve o choro, foram as palavras que menos esperava ouvir, naquele momento. mas o passado não volta, e o orgulho tem de falar sempre mais alto, por isso, ela não se virou, respondendo-lhe friamente (embora por dentro abalada):
-Como disséste à pouco, adeus, até um dia(...) vai-te embora, vai-te embora e nunca mais voltes.
Porque errámos os dois, e isso eu admito, mas não ouses culpar-me a mim, pelos teus erros, pelos teus desvaneios e omissões. E agora?! agora foi só mais uma das muitas lições que vou aprendendo.
Aquela mão tão hipnotizante caiu-lhe do ombro, já sem forças para continuar. Assim apenas respondeu:
-Se é essa a tua decisão, estou pronto.
Curiosa, mas não menos magoada, perguntou em voz baixa, de tão fraca pela sede de paz que a consumia:
-Pronto? Para quê?
- Esquece, talvez um dia percebas(...)
Foram as últimas palavras que ouviu de sua boca, e quando percebeu isso, já era tarde demais, ele tinha ido embora, e desta vez, era para sempre.
O orgulho tinha-os consumido aos dois, e quando se aperceberam disso, já o seu amor um pelo outro era intolerável e ambos não sabiam como lidar com ele.
Assim, ela respirou fundo, mentalizando-se do seu presente, ao mesmo tempo que as lágrimas, já frias, se apoderavam de seu coração(...)

5 comentários:

  1. que bonito, ana *_*
    olha , por acaso isso não está a retratar nenhuma situação verídica ? : x

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  2. Por vezes não dá para mais.

    Obrigado :$

    Adore teu texto, asério que sim.

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  3. estás a gozar, mas não esqueço não! :D
    amo-te <3

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  4. - Muito giro .
    Acho que gostaria ver um livro teu numa estante de uma livraria. :)

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